Câmara dos Deputados cobra explicações de Wilson Santiago após gastos com locadora ligada a sobrinhos

A Câmara dos Deputados encaminhou um ofício ao gabinete do deputado federal Wilson Santiago (Republicanos–PB) para que ele preste esclarecimentos sobre despesas realizadas com a cota parlamentar em uma empresa ligada a familiares. A medida foi tomada após questionamentos internos sobre a conformidade dos gastos com as regras da Casa.
Segundo informações apuradas pela coluna Tácio Lorran, do site Metrópoles, a Câmara também determinou o bloqueio do CNPJ da empresa envolvida para novos reembolsos ao parlamentar enquanto a análise estiver em andamento. Em nota citada pela coluna, o órgão afirmou que, caso irregularidades sejam confirmadas, os valores eventualmente recebidos de forma indevida deverão ser restituídos aos cofres da Câmara.
As despesas sob análise envolvem a Construtora e Locadora JMX, empresa que tem como sócios dois sobrinhos do deputado, Thiago e Thaísa Santiago. Eles são filhos de José Milton Santiago, irmão já falecido do parlamentar.
De acordo com dados da própria Câmara, o parlamentar recebeu cerca de R$ 203 mil em reembolsos referentes a notas fiscais emitidas pela empresa. Os documentos apontam a locação de veículos, entre eles um Caoa Chery Tiggo 7 e um Jeep Commander, ambos do tipo SUV.
Parte da documentação inclui recibos assinados por Thiago Santiago, também conhecido como Thiago de Azulão, ou por sua filha. Thiago é vereador no município de Uiraúna – PB, eleito pelo mesmo partido do deputado.
O caso também foi alvo de questionamento no Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), que solicitou a abertura de apuração pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na representação, o órgão pede que, caso sejam confirmadas irregularidades, haja devolução integral dos valores ao erário e eventual aplicação de multa.
O subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado apontou, no documento, a necessidade de análise sobre possível desvio de finalidade da cota parlamentar e eventual conflito de interesses na contratação da empresa.
A representação também solicita que, em caso de indícios de improbidade administrativa ou ilícitos penais, os autos sejam encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF).
Procurado pela reportagem citada pela coluna, o deputado não respondeu aos questionamentos até a última atualização. O espaço permanece aberto para manifestação.







