Eleição na Colômbia amplia isolamento ideológico de Lula na América do Sul

A vitória do ultradireitista Abelardo de la Espriella nas eleições presidenciais da Colômbia, no domingo (21/6), deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com poucos aliados de esquerda na América do Sul.
Em uma disputa apertada, Abelardo venceu o esquerdista Iván Cepeda, por 49,7% dos votos a 48,5% no segundo turno. Cepeda era apoiado pelo atual presidente colombiano, Gustavo Petro, que vinha sendo um dos principais aliados de Lula no cenário latino-americano.
A vitória de Abelardo foi comemorada pela oposição a Lula no Brasil. O direitista foi eleito com um discurso ancorado na pauta da segurança pública e de redução do Estado, além de um tom agressivo contra adversários políticos. Durante a campanha, também se notabilizou pelo uso da camisa da seleção colombiana de futebol.
Desde 2023, a direita vem acumulando sucessivas vitórias na região, com as eleições de Keiko Fujimori no Peru, Rodrigo Paz na Bolívia, José Antonio Kast no Chile, Daniel Noboa no Equador, Santiago Peña no Paraguai e Javier MIlei na Argentina.
Com isso, apenas Brasil, com Lula, e Uruguai, com o presidente Yamandú Orsi, serão governados pela esquerda na América do Sul. Nas Américas do Norte e Central, também se destaca a presidente do México, Claudia Sheinbaum. Por outro lado, o direitista Nayib Bukele, de El Salvador, também ganha notoriedade internacional por suas políticas de segurança pública.
Na maioria dos casos, Lula tem adotado uma postura pragmática em relação aos líderes vizinhos de campos opostos. Ele já recebeu Rodrigo Paz e Daniel Noboa no Palácio do Planalto, além de ter feito reuniões com Kast e manter uma relação amistosa com Santiago Peña.
A relação mais distante é com Javier Milei, com quem Lula nunca fez uma reunião bilateral em quase três anos e apenas trocou cumprimentos em eventos como o G20 e as cúpulas do Mercosul. Milei mantém relação de proximidade com o presidente americano Donald Trump e com a família Bolsonaro, além do contra a esquerda, o que faz Lula não se esforçar para se aproximar do líder argentino.
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