Itaporanguense Vice da FPF aciona o STJD pedindo o afastamento de presidente da federação e do TJD-PB

Por Júnior Viriato 12/04/2018 - 08:53 hs

As movimentações referentes à corrupção no futebol da Paraíba continuam a todo vapor. Nesta quarta (11), foi a vez de o vice-presidente da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Nosman Barreiro, protocolar uma notícia crime delitiva junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJD) e à Comissão de Ética da Confederação Brasileiro de Futebol (CBF) contra Amadeu Rodrigues, presidente da FPF, e Lionaldo Santos, presidente do Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba.

Na prática, o vice-presidente busca informar STJD e a CBF sobre os crimes cometidos por Amadeu e Lionaldo – investigados na Operação Cartola – e provocar assim o afastamento de ambos de seus respectivos cargos.

“Essa notícia crime foi dada entrada para informar o STJD sobre os artigos do Código de Justiça Desportiva que foram contrariados nesses atos que estão sendo investigados na Justiça Comum. Existem várias sanções a serem aplicadas. Depende do entendimento da Corte, desde multas até o afastamento dos dirigentes”, disse Romero Souza, advogado de Nosman, ao UOL Esporte.

Deflagrada na última segunda-feira (9), a Operação Cartola é resultado de mais de seis meses de investigações na Paraíba e busca indícios de manipulações de resultados, adulterações em sorteios de arbitragem e desvio de valores em jogos e campeonatos.

A operação tem por objetivo apurar os crimes cometidos por uma organização composta por membros da Federação Paraibana de Futebol (FPF), Comissão Estadual de Arbitragem da Paraíba (Ceaf), Tribunal de Justiça Desportiva da Paraíba (TJD/PB) e dirigentes de clubes de futebol profissional do Estado da Paraíba (os cartolas).

Segundo apurou o UOL Esporte, Amadeu Rodrigues e Lionaldo Santos estiveram entre os alvos dos mandados de busca e apreensão na última segunda-feira (9).

Com apoio de 230 policiais civis do estado, foram cumpridos 39 mandados de busca e apreensão nas cidades de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Campina Grande e Cajazeiras. Por questão de sigilo, maiores detalhes só poderão ser divulgados ao fim da operação.

Os envolvidos podem responder processo ao menos por organização criminosa, falsidade ideológica e manipulação de resultados, crime contra o Estatuto do Torcedor. As autoridades locais estão abertas a denúncias sobre o tema.

Investigação pode alcançar campeonatos nacionais

De acordo com Lucas Sá, delegado de Defraudações e Falsificações de João Pessoa (PB) e um dos responsáveis pela Operação Cartola, há suspeitas de que as investigações que vêm sendo realizadas no futebol paraibano possam alcançar campeonatos regionais e até nacionais.

“Inicialmente o foco está no estado da Paraíba, mas, conforme as denúncias, existem, sim, suspeitas de que essas condutas possam alcançar campeonatos regionais e inclusive nacionais. Em face do sigilo das investigações não podemos dar detalhes nesse momento, porque muitas das diligências estão em plena atividade e, caso a gente dê qualquer indício do que está sendo investigado, isso pode ser muito prejudicial para a investigação”, afirmou. Do UOL Esporte.