Família do bebê de Conceição que morreu com calazar diz que houve negligência de hospital

Por Júnior Viriato 17/02/2018 - 01:03 hs

A família do menino Emanoel Diniz Martins, 2 anos, que morreu com leishmaniose visceral, doença rara conhecida como calazar, disse que acredita que houve negligência por parte do Hospital Municipal e Maternidade Caçula Leite, em Conceição.

O menino morreu nesta quarta-feira (14), depois de passar 10 dias internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O menino foi enterrado na tarde desta quinta-feira (15). A família informou que vai acionar a justiça, contra o hospital.

Segundo o pai do menino, o eletricista Genildo Martins, 38 anos, a criança foi levada ao Hospital de Conceição mais de 20 vezes, com os sintomas, mas os médicos diziam que era apenas uma febre normal e receitavam um remédio antitérmico.

"Ele começou com uma febre e a gente achou que seria normal. Fomos ao Hospital de Conceição e o médico receitou dipirona e mandou ir pra casa dar um banho do meu filho. Na madrugada a febre voltou mais alta, mas fizeram a mesma coisa. Foram uns 20 dias indo ao Hospital. Em uma das semanas fomos todos os dias e em um único dia fomos três vezes", disse o pai.

O pai acredita que houve negligência por parte do Hospital de Conceição, por não ter encaminhado o menino para um hospital de referência, nem ter ampliado os exames de sangue.

Eles faziam os exames e não dava nada. Depois de muitos exames, nós pagamos um exame em uma clínica de Cajazeiras, no Sertão. Mandamos a mostra de sangue e nesse exame que fizemos por conta própria o resultado foi de suspeita de hepatite ou calazar. Foi aí que mandaram para um Hospital de Campina Grande", contou o pai.

Segundo o diretor Hiderval Arruda de Lacerda Júnior, a criança chegou ao hospital com febre e procedimentos iniciais foram feitos, mas não foi possível identificar as causas dos sintomas. Como a criança continuou doente, o hospital solicitou alguns exames de funções renais e do fígado. Depois de oito dias foi diagnosticado uma alteração no fígado.

"Vou entrar na justiça e procurar nossos direitos, para que isso não aconteça com outras pessoas", disse o pai.

UTI e morte
Ainda segundo a família, Depois dos exames indicarem a suspeita, o menino foi levado para o Hospital Universitário em Campina Grande, já em estado grave e ficou internado na UTI. Após 10 dias, na noite desta quarta-feira, o menino morreu. No fim da tarde desta quinta-feira, a família enterrou o corpo de Emanoel Diniz Martins.