Contador forja morte de 3 esposas fictícias e dá golpe de R$ 500 mil na Previdência

Na vida real, Marcelo Roberto Ferrarin é casado. Para não ser preso ou processado por fraude, ou até mesmo por bigamia, criava outras identidades para forjar o casamento com cada uma de suas mulheres.

Por Júnior Viriato 20/08/2017 - 12:08 hs

Marcelo amou Luciana. Amou Maria Aparecida. Amou Mariana. Casou-se com as três. Elas têm um grande semelhança: nunca existiram. Foram inventadas por ele para fazer parte de um golpe contra a Previdência Social. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o contador paranaense, após os fictícios matrimônios, forjou a morte das mulheres e garantiu, assim, rica pensão. Segundo os investigadores da força-tarefa, esse serial killer previdenciário conseguiu receber R$ 500 mil dos cofres públicos.

Na vida real, Marcelo Roberto Ferrarin é casado. Para não ser preso ou processado por fraude, ou até mesmo por bigamia, criava outras identidades para forjar o casamento com cada uma de suas mulheres. Montava ainda uma estrutura para cada uma de suas uniões.

RG, HABILITAÇÃO E CARTÃO

Nomes para seus pais e sogros também eram criados por Ferrarin, como relata o MPF. Para a união com Luciana Bezerra dos Santos, ele mudou apenas o sobrenome. Batizou-se de Marcelo Antônio Pereira.

Já a personalidade de Ferrarin que se uniu em matrimônio com Maria Aparecida da Costa foi Luiz Roberto Parise. Ele tinha RG, carteira de habilitação e até cartão de banco. Segundo o MPF, no cartório da cidade de Nova Esperança conseguiu o registro falso para ele e para a noiva. Casaram-se em Iracema do Oeste.

Já “viúvo”, Parise requereu pensão por morte na agência da Previdência Social de São José dos Pinhais. Poucos meses antes, a pseudo morta tinha sido cadastrada como “segurada facultativa”. De agosto de 2009 até novembro daquele ano, Parise recolheu quatro contribuições mensais com valores bastante expressivos. A vida de Maria Aparecida teve fim apenas três dias após o Natal de 2009, traz sua falsa certidão de óbito.

Segundo levantamento realizado pelo INSS, Ferrarin recebeu só de pensão com a morte de Maria Aparecida um total de R$ 265.251,28. O valor mensal era de R$ 4.600.

A mesma estratégia foi utilizada para a prática de outros estelionatos. Num outro inquérito da Polícia Federal, os investigados são Márcio de Paula Santos e Mariana Pereira de Oliveira Santos. Márcio, segundo o MP, é outra personalidade de Ferrarin.

O Globo